Ouvi de longe um canto suave, encantador, envolto de doçura e mágica. Um tom calmo e enfeitiçador.
Não bastou muito para envolver-me e despertar meu interesse em segui-lo.
Caminhei com passos leves, desconfiados e com um ouvindo atento, apurado. Um efeito sonoro que jamais ouvi antes.
A vi sentada bem perto de um caminho montanhoso, vasto de verde com um céu aberto.
Era um cenário alucinante e impecável.
As belezas se confundiam: mulher, voz e natureza.
Parei perplexo a uma certa distância e já não tinha mais sequer consciência de mim.
Veio em minha direção, ainda cantando e não movi absolutamente um dedo.
Foi a primeira vez que lábios quentes e misteriosos encontravam os meus.
Lábios rosas atraentes, apaixonantes, doces e atrevidos.
Estava dominado por aquela mulher e a queria naquele instante para o resto da vida.
Seu canto invadiu meus ouvidos com seus lábios macios, e dominou meu corpo imóvel.
Num piscar de olhos repentino me vi sozinho.
Belisquei minha pele na tentativa de acordar de um possível sonho.
Apenas me auto judiei.
Era incrivelmente real.
A procurei por todas as partes e nenhum rastro ou pista.
De fato ela se foi.
Um reino a esperava logo ali, em cima dos meus olhos e distante das minhas possibilidades humanas.
O Olimpo era o seu recanto e mal podia acreditar que caí em seu encanto majestoso.
Adeus, Afrodite, meu coração não é mais meu. Levou consigo.
Cante, por favor cante mesmo que distante, mesmo um instante.
A ouvirei com todo o meu amor.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
Anjo mau
Um anjo mau de asas quebradas
E veneno nos olhos
Bateu à porta dos meus sonhos
Me oferecendo encantos
Malignos enfeitiçantes
Tão tortuosos e apaixonantes
Quanto seus olhos penetrantes
Fui tentando sobreviver
Ao seu poder atração
Fui amando seu jeito de ser
Sem critério e projeção
Do que queria que fosse
Do mais perfeito ser
Ao doce mel que nos colava
Regredi ao meu sofrer
Por medo de me perder
Em meio a tanto querer
De um ser tão delinquente
Na forma mais eloquente
Quando me tocava
Me deixando ofegante
Num ritmo quente
De um amor ardente
Um anjo mau de cachinhos perfeitos
Ondulados e pretos
De sorriso infantil
Jeito juvenil
E sex appeal viril
Um adulto complexo
Uma relação sem nexo
Um poder e um retrocesso
De um auê de amor
Finito
Enfim
Infinito
Em meu incansável sonho
sábado, 5 de janeiro de 2013
A vida não espera
Meus ouvidos ao som de The Strokes, meu corpo recostado na minha confortável e deliciosa cama e meu pensamento imerso em devaneios e lembranças, um tanto quanto perturbadoras, mas me faziam sentir que a vida ainda pulsava em mim. Meus olhos, por ora abertos, só enxergavam o teto em cor verde claro. Quando fechados, só viam um filme em preto e branco passar em flashes curtos: eu e você e mais tudo o que isso envolvia.
Por um instante me surpreendi com meu celular vibrando. Era quem eu não imaginava que poderia ser, mas no fundo, quem eu gostaria imensamente que fosse: você. Eu só tinha duas opções óbvias, atender ou não atender. Nessa altura do campeonato, a escolhida foi a primeira.
- Oi.
- Oi. Achei que não fosse me atender.
Respirei fundo e continuei.
- Você sabe que eu não deveria, mas um impulso maior me disse que eu tinha que atender.
- Ainda bem que você tem esses bons impulsos.
Contive um sorriso com seu tom de brincadeira.
- O que quer? – Questionei com curiosidade.
- Direto ao ponto? Bom, você.
Gelei.
- Por que então não estamos juntos? Por que nunca tivemos? – Disse com desconforto.
- Por que... ah... talvez nunca nos esforçamos. Mas... quero tentar, eu não penso em outra coisa que não seja estar contigo.
Engoli a seco. Segundos atrás eu fazia o mesmo.
- O que a gente faz? – Disse em meio a essa conversa tão inesperada.
- Ficamos juntos. Só isso. Apenas isso... dá uma chance pra nós dois. Gosto de você e não vejo a hora de te envolver em meus braços e te amar, amar com um beijo, com meu toque, com minhas palavras, com meu olhar.
Engoli a seco novamente. Por essa eu não esperava. Meu coração então começou a me cutucar e pedir pra que eu respondesse com rapidez e à altura. Não sei se consegui.
- Eu estava pensando em você também. Acho que sabe que o que acabou de dizer agora é talvez, o que mais existe em comum entre nós. – Tirei um peso das costas.
- Deixa?
- O que? – Perguntei com inocência.
- Eu cuidar de você, ficar do seu lado e dar todo o amor que eu posso dar pra alguém. Deixa?
Parecia não acreditar no que eu estava ouvindo, mas uma chama de felicidade me dominou. E eu queria, queria muito deixar.
- Não sei por que nem como, mas de algum modo eu estava esperando por isso. Eu quero você!
Desliguei o telefone e fui ser feliz. A vida não espera.
Por um instante me surpreendi com meu celular vibrando. Era quem eu não imaginava que poderia ser, mas no fundo, quem eu gostaria imensamente que fosse: você. Eu só tinha duas opções óbvias, atender ou não atender. Nessa altura do campeonato, a escolhida foi a primeira.
- Oi.
- Oi. Achei que não fosse me atender.
Respirei fundo e continuei.
- Você sabe que eu não deveria, mas um impulso maior me disse que eu tinha que atender.
- Ainda bem que você tem esses bons impulsos.
Contive um sorriso com seu tom de brincadeira.
- O que quer? – Questionei com curiosidade.
- Direto ao ponto? Bom, você.
Gelei.
- Por que então não estamos juntos? Por que nunca tivemos? – Disse com desconforto.
- Por que... ah... talvez nunca nos esforçamos. Mas... quero tentar, eu não penso em outra coisa que não seja estar contigo.
Engoli a seco. Segundos atrás eu fazia o mesmo.
- O que a gente faz? – Disse em meio a essa conversa tão inesperada.
- Ficamos juntos. Só isso. Apenas isso... dá uma chance pra nós dois. Gosto de você e não vejo a hora de te envolver em meus braços e te amar, amar com um beijo, com meu toque, com minhas palavras, com meu olhar.
Engoli a seco novamente. Por essa eu não esperava. Meu coração então começou a me cutucar e pedir pra que eu respondesse com rapidez e à altura. Não sei se consegui.
- Eu estava pensando em você também. Acho que sabe que o que acabou de dizer agora é talvez, o que mais existe em comum entre nós. – Tirei um peso das costas.
- Deixa?
- O que? – Perguntei com inocência.
- Eu cuidar de você, ficar do seu lado e dar todo o amor que eu posso dar pra alguém. Deixa?
Parecia não acreditar no que eu estava ouvindo, mas uma chama de felicidade me dominou. E eu queria, queria muito deixar.
- Não sei por que nem como, mas de algum modo eu estava esperando por isso. Eu quero você!
Desliguei o telefone e fui ser feliz. A vida não espera.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
O pequeno grande Thomas
Thomas não via a hora de chegar o seu dia preferido do ano. Ele contava nos dedos os meses que faltavam a cada um que terminava. Perturbava a mãe e o pai e sempre tinha a resposta na ponta da língua, quando seus amiguinhos perguntavam do que ele mais gostava no mundo: o Natal.
- O Natal? Hahaha, você é maluquinho! Eu gosto de futebol!
- E eu de vídeo-game!
- Sabe o que eu gosto mais? De ver tv, passear, brincar com meus amigos.
Thomas sempre ouvia coisas desse tipo em resposta. Ele apenas sorria e dava de ombros.
Ele era fascinado pela magia natalina. Obrigatoriamente, na primeira semana de dezembro enfeitava sua casa. A árvore, o presépio, as meias, os pisca-piscas. Papai Noel já não existia pra ele. Não fisicamente como um dia, quando crianças, achamos que ele existe, mas ninguém, absolutamente ninguém podia interferir na sua imaginação e nos seus pensamentos. Nesses lugares o bom velhinho era mais vivo que qualquer um.
Thomas adorava ver o brilho nos olhos da família durante a ceia, ao brincar de amigo oculto e quando meia noite todos eram infinitamente afetuosos.
Mas por que ele era desse jeito, tão amante do Natal e tão radiante nos preparativos e no dia? Porque Thomas sabia que aquele era um dia, um único dia no ano em que ele podia ver a felicidade em forma concreta. Porque ele sabia que sempre se lembraria de algum fato daquele dia, seja por um presente marcante, por uma comida gostosa, por um tio chato ou bêbado, ou simplesmente pela reunião que ele tanto amava poder participar. Infelizmente o natal não poderia e estender para o resto do ano, então ele fazia questão de preparar tudo nos mínimos detalhes, milimétricamente bem feito pra nunca mais esquecer e sempre manter aquele amor vivo dentro dele.
Feliz Natal a todos os meus leitores!
- O Natal? Hahaha, você é maluquinho! Eu gosto de futebol!
- E eu de vídeo-game!
- Sabe o que eu gosto mais? De ver tv, passear, brincar com meus amigos.
Thomas sempre ouvia coisas desse tipo em resposta. Ele apenas sorria e dava de ombros.
Ele era fascinado pela magia natalina. Obrigatoriamente, na primeira semana de dezembro enfeitava sua casa. A árvore, o presépio, as meias, os pisca-piscas. Papai Noel já não existia pra ele. Não fisicamente como um dia, quando crianças, achamos que ele existe, mas ninguém, absolutamente ninguém podia interferir na sua imaginação e nos seus pensamentos. Nesses lugares o bom velhinho era mais vivo que qualquer um.
Thomas adorava ver o brilho nos olhos da família durante a ceia, ao brincar de amigo oculto e quando meia noite todos eram infinitamente afetuosos.
Mas por que ele era desse jeito, tão amante do Natal e tão radiante nos preparativos e no dia? Porque Thomas sabia que aquele era um dia, um único dia no ano em que ele podia ver a felicidade em forma concreta. Porque ele sabia que sempre se lembraria de algum fato daquele dia, seja por um presente marcante, por uma comida gostosa, por um tio chato ou bêbado, ou simplesmente pela reunião que ele tanto amava poder participar. Infelizmente o natal não poderia e estender para o resto do ano, então ele fazia questão de preparar tudo nos mínimos detalhes, milimétricamente bem feito pra nunca mais esquecer e sempre manter aquele amor vivo dentro dele.
Feliz Natal a todos os meus leitores!
sábado, 8 de dezembro de 2012
Jacinto
Jacinto
Já sinto dor e agonia
Tristeza e melancolia, Jacinto
Já sinto insegurança, inquietude
E perda de lembrança
Jacinto
Já sinto o som da porta fechando
Dos meus olhos escurecendo
Do seu nome se apagando
Já sinto dor e agonia
Tristeza e melancolia, Jacinto
Já sinto insegurança, inquietude
E perda de lembrança
Jacinto
Já sinto o som da porta fechando
Dos meus olhos escurecendo
Do seu nome se apagando
Já sinto, Jacinto
Jacinto
Já sinto meu cinto afrouxando
Meu carro batendo
Minha vida acabando
Já sinto tudo se reduzir a pó
O mundo acabar
Nosso sofrer e nosso penar, Jacinto
Já sinto, Jacinto
Nosso castelo de areia desmoronar
A água do mar secar
Já sinto minha perna cambalear
E o nosso caminho se descruzar
Já sinto
Jacinto.
Jacinto
Já sinto meu cinto afrouxando
Meu carro batendo
Minha vida acabando
Já sinto tudo se reduzir a pó
O mundo acabar
Nosso sofrer e nosso penar, Jacinto
Já sinto, Jacinto
Nosso castelo de areia desmoronar
A água do mar secar
Já sinto minha perna cambalear
E o nosso caminho se descruzar
Já sinto
Jacinto.
domingo, 18 de novembro de 2012
Hipóstase
Estava pensando em te conquistar. Mesmo sendo imprevisível. Mesmo sendo dissimulado. Mesmo estando do outro lado.
Estava querendo uma chance pra nós, um momento a sós.
Estava desfrutando o sabor dos teus beijos e teu toque em imaginação.
Estava comprando as passagens, quase o avião. Mesmo assim não deixei de viajar.
Não parei de te desejar. Mesmo sendo uma mentira. Mesmo sendo uma tragédia anunciada.
Surfei, peguei a onda na crista. você minha prancha me manteve em pé até quando foi conveniente. Minutos. Caí. Não. Você me empurrou.
Como na capoeira: um golpe, uma rasteira. Uma aqueda.
Caí de mal jeito no mar. Doeu. Sorte que sei nadar. Sorte que o fundo não era tão longe do raso.
Meu avião decolou, mas forcei o pouso.
Em terra firme, já posso me rearrumar.
Estava pensando em te conquistar.
Estava só pensando.
Estava querendo uma chance pra nós, um momento a sós.
Estava desfrutando o sabor dos teus beijos e teu toque em imaginação.
Estava comprando as passagens, quase o avião. Mesmo assim não deixei de viajar.
Não parei de te desejar. Mesmo sendo uma mentira. Mesmo sendo uma tragédia anunciada.
Surfei, peguei a onda na crista. você minha prancha me manteve em pé até quando foi conveniente. Minutos. Caí. Não. Você me empurrou.
Como na capoeira: um golpe, uma rasteira. Uma aqueda.
Caí de mal jeito no mar. Doeu. Sorte que sei nadar. Sorte que o fundo não era tão longe do raso.
Meu avião decolou, mas forcei o pouso.
Em terra firme, já posso me rearrumar.
Estava pensando em te conquistar.
Estava só pensando.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Janela da alma
Eu vi uma janela no olhar de uma criança
Eu vi em seu rosto uma esperança
De mudar o que parecia impossível
Eu vi um ser indefeso
Intocável e ileso
De qualquer culpa e afins
Eu vi uma janela no olhar de uma criança
Um suspiro de dor com sabor de vingança
E um semblante inesquecível
Eu vi um tamanho desprezo
Sem causa e efeito
Que pôs em prantos o meu peito
Eu fui uma criança
Com olhar de esperança
Sede de vingança
Dor e mágoas
Que tanto transbordavam em lágrimas
Dignas de uma infinita fraqueza
No espelho hoje eu vejo
Um adulto acabado
Um ser maltratado
Pelo desamor de um pai amaldiçoado
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