Thomas não via a hora de chegar o seu dia preferido do ano. Ele contava nos dedos os meses que faltavam a cada um que terminava. Perturbava a mãe e o pai e sempre tinha a resposta na ponta da língua, quando seus amiguinhos perguntavam do que ele mais gostava no mundo: o Natal.
- O Natal? Hahaha, você é maluquinho! Eu gosto de futebol!
- E eu de vídeo-game!
- Sabe o que eu gosto mais? De ver tv, passear, brincar com meus amigos.
Thomas sempre ouvia coisas desse tipo em resposta. Ele apenas sorria e dava de ombros.
Ele era fascinado pela magia natalina. Obrigatoriamente, na primeira semana de dezembro enfeitava sua casa. A árvore, o presépio, as meias, os pisca-piscas. Papai Noel já não existia pra ele. Não fisicamente como um dia, quando crianças, achamos que ele existe, mas ninguém, absolutamente ninguém podia interferir na sua imaginação e nos seus pensamentos. Nesses lugares o bom velhinho era mais vivo que qualquer um.
Thomas adorava ver o brilho nos olhos da família durante a ceia, ao brincar de amigo oculto e quando meia noite todos eram infinitamente afetuosos.
Mas por que ele era desse jeito, tão amante do Natal e tão radiante nos preparativos e no dia? Porque Thomas sabia que aquele era um dia, um único dia no ano em que ele podia ver a felicidade em forma concreta. Porque ele sabia que sempre se lembraria de algum fato daquele dia, seja por um presente marcante, por uma comida gostosa, por um tio chato ou bêbado, ou simplesmente pela reunião que ele tanto amava poder participar. Infelizmente o natal não poderia e estender para o resto do ano, então ele fazia questão de preparar tudo nos mínimos detalhes, milimétricamente bem feito pra nunca mais esquecer e sempre manter aquele amor vivo dentro dele.
Feliz Natal a todos os meus leitores!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
sábado, 8 de dezembro de 2012
Jacinto
Jacinto
Já sinto dor e agonia
Tristeza e melancolia, Jacinto
Já sinto insegurança, inquietude
E perda de lembrança
Jacinto
Já sinto o som da porta fechando
Dos meus olhos escurecendo
Do seu nome se apagando
Já sinto dor e agonia
Tristeza e melancolia, Jacinto
Já sinto insegurança, inquietude
E perda de lembrança
Jacinto
Já sinto o som da porta fechando
Dos meus olhos escurecendo
Do seu nome se apagando
Já sinto, Jacinto
Jacinto
Já sinto meu cinto afrouxando
Meu carro batendo
Minha vida acabando
Já sinto tudo se reduzir a pó
O mundo acabar
Nosso sofrer e nosso penar, Jacinto
Já sinto, Jacinto
Nosso castelo de areia desmoronar
A água do mar secar
Já sinto minha perna cambalear
E o nosso caminho se descruzar
Já sinto
Jacinto.
Jacinto
Já sinto meu cinto afrouxando
Meu carro batendo
Minha vida acabando
Já sinto tudo se reduzir a pó
O mundo acabar
Nosso sofrer e nosso penar, Jacinto
Já sinto, Jacinto
Nosso castelo de areia desmoronar
A água do mar secar
Já sinto minha perna cambalear
E o nosso caminho se descruzar
Já sinto
Jacinto.
domingo, 18 de novembro de 2012
Hipóstase
Estava pensando em te conquistar. Mesmo sendo imprevisível. Mesmo sendo dissimulado. Mesmo estando do outro lado.
Estava querendo uma chance pra nós, um momento a sós.
Estava desfrutando o sabor dos teus beijos e teu toque em imaginação.
Estava comprando as passagens, quase o avião. Mesmo assim não deixei de viajar.
Não parei de te desejar. Mesmo sendo uma mentira. Mesmo sendo uma tragédia anunciada.
Surfei, peguei a onda na crista. você minha prancha me manteve em pé até quando foi conveniente. Minutos. Caí. Não. Você me empurrou.
Como na capoeira: um golpe, uma rasteira. Uma aqueda.
Caí de mal jeito no mar. Doeu. Sorte que sei nadar. Sorte que o fundo não era tão longe do raso.
Meu avião decolou, mas forcei o pouso.
Em terra firme, já posso me rearrumar.
Estava pensando em te conquistar.
Estava só pensando.
Estava querendo uma chance pra nós, um momento a sós.
Estava desfrutando o sabor dos teus beijos e teu toque em imaginação.
Estava comprando as passagens, quase o avião. Mesmo assim não deixei de viajar.
Não parei de te desejar. Mesmo sendo uma mentira. Mesmo sendo uma tragédia anunciada.
Surfei, peguei a onda na crista. você minha prancha me manteve em pé até quando foi conveniente. Minutos. Caí. Não. Você me empurrou.
Como na capoeira: um golpe, uma rasteira. Uma aqueda.
Caí de mal jeito no mar. Doeu. Sorte que sei nadar. Sorte que o fundo não era tão longe do raso.
Meu avião decolou, mas forcei o pouso.
Em terra firme, já posso me rearrumar.
Estava pensando em te conquistar.
Estava só pensando.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Janela da alma
Eu vi uma janela no olhar de uma criança
Eu vi em seu rosto uma esperança
De mudar o que parecia impossível
Eu vi um ser indefeso
Intocável e ileso
De qualquer culpa e afins
Eu vi uma janela no olhar de uma criança
Um suspiro de dor com sabor de vingança
E um semblante inesquecível
Eu vi um tamanho desprezo
Sem causa e efeito
Que pôs em prantos o meu peito
Eu fui uma criança
Com olhar de esperança
Sede de vingança
Dor e mágoas
Que tanto transbordavam em lágrimas
Dignas de uma infinita fraqueza
No espelho hoje eu vejo
Um adulto acabado
Um ser maltratado
Pelo desamor de um pai amaldiçoado
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Tormento
Eu não sei como eu cheguei até aqui. Não sei como adormeci. Mas ao abrir os olhos a única coisa que enxerguei foi o preto, o vácuo, o escuro.
Eu não encontro um feixe de luz qualquer que me oriente.
Entre o meu desespero e o vazio, me concentro em apalpar o que me cerca a fim de reconhecer uma saída. Tentativas inúteis.
Deslizo minhas costas na parede até sentar no chão com as pernas dobradas. As envolvo em meus braços e num ato medroso, abaixo minha cabeça até que minha testa encoste em meus braços.
É assim que vou ficar, por não sei quanto tempo, até que eu possa novamente ver a luz.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Coração puro
- Pai, pai!
- Oi, filho.
- De onde surgiu o amor?
- João, o pai tá lendo jornal agora, conversamos depois.
- Não, pai... só me responde a pergunta.
- Depois, João.
- É rapidinho, vai. Você me responde e eu vou pro meu quarto
brincar.
- Tá bom. Fala aí, cara, qual é a pergunta?
- Eu acabei de fazer...
- Faça de novo, estava lendo.
- Eu quero saber de onde veio o amor.
- João, de onde você tirou isso?
- Não sei, pai. Só quero saber de onde ele veio.
- Ah, filho, o amor... o amor...
- Você não sabe, né pai?
- Você me pegou desprevenido. Na verdade eu nunca pensei
nisso.
- Então pensa agora e me responde!
- O amor vem do ser humano, da natureza, vem do mundo, do
homem.
- E da mulher não?
- Filho, você está apaixonado?
- Não sei, pai. Na verdade eu estou sentindo umas coisas
estranhas.
- Que coisas?
- Como se tivessem borboletas batendo as asas aqui na minha
barriga.
- E quando isso acontece, filho?
- Quando a Yasmin chega no colégio, ela sempre vem e me dar
um beijo na bochecha. Minhas mãos ficam suadas, eu fico nervoso.
- Fica nervoso por que gosta ou por que não gosta do carinho
dela?
- Não sei, pai. Ela me deixa nervoso... quando ela fica
perto, me olhando muito. Dá esse negócio na minha barriga. Será que dá nela
também?
- Não sei... por que não experimenta perguntar pra ela?
- Não consigo, parece que não sei mais falar quando ela fica
do meu lado.
- Respira com calma e conversa com ela.
- E se eu não conseguir?
- Vai conseguir! Ela é bonita?
- Ela tem olhos cor de mel.
- Já vi que gostou dos olhos dela.
- É que os olhos dela estão sempre olhando os meus. Não entendo
isso, pai.
- Um dia você vai entender...
- Brigado, pai. Vou brincar com meus carrinhos
- Espera aí, rapaz. Por que me perguntou de onde veio o
amor?
- Por que hoje ela disse pra mim “eu te amo”... Acho que o amor surgiu dela, pai.
sábado, 6 de outubro de 2012
O Diário de Helena - Parte III
“Helena Maia Vanilha, aceita Rodrigo Dualibe Castro como
seu legítimo esposo?”
Ah, padre, por favor, no próximo sonho comece logo da parte
do “pode beijar a noiva”... Esse cirurgião ainda vai casar comigo!
O papo com a minha mãe ontem no telefone só podia dar
nisso. Ela ligou pra minha casa perguntando onde eu estava. Acho que a
maluquice é uma coisa de genética. Logo perguntei “ué, você ligou pro meu
celular ou pra minha casa?”, e ela, mais rebelde que um adolescente na pior
fase da rebeldia responde “eu é que vou saber pra qual número eu liguei, não me
faça perguntas difíceis!”. Então eu respondi que estava em casa. Acho que foi a
pior coisa que eu podia ter dito, tive que escutar uma ladainha altamente chata:
“Helena, mas o que é que está havendo com você, minha filha? E os boys?”, para,
para tudo!
A minha mãe me perguntou sobre os “boys”, como assim?
“Boys, mãe? Que boys?”, eu ainda não acreditava no que
ela estava me dizendo.
“É, Helena, os boys, os bofes, os carinhas lindos,
cheirosos e poderosos... vai me dizer que não está saindo com ninguém?”
Era demais ouvir minha mãe falando daquele jeito, mas
tudo bem, eu ia descobrir o motivo.
“Não estou saindo com ninguém não...”
Ela suspirou ao telefone e eu pressenti que lá vinha um
testamento pronto.
“Helena, você já tem 34 anos, meu bem. Vai ficar
encalhada a vida inteira? Coloca uma roupa que valorize essa sua bunda
maravilhosa que herdou de mim e esses peitões lindos que tem agora e vai à
luta! Não é possível... você engordou, é isso? Porque olha, mesmo se for isso,
não tem problema, a mamãe tá acima do peso, mas eu arrumei um boy tão lindo,
jovem, descolado, um amor, estou pensando até em morar junto com ele!”
N-Ã-O É P-O-S-S-Í-V-E-L!
Eu parei, respirei, reproduzi tudo que ela tinha dito na
minha cabeça de novo e lá fui eu tentar entender e ver se eu não tinha viajado:
“Como é que é, mãe?”
“É Helena, você tá devagar, hein? Mamãe tá namorando, ele
é um garotão, meu amor, 31 aninhos, surfa, malha, é empresário, arrumei um
príncipe.”
PUTA QUE PARIL!
“31 anos??????????? Você pirou, mãe?”
“Não, meu amorzinho, eu só estou fazendo o que você não
anda fazendo, pelo visto, né? Me divertindo, beijando na boca e claro, fazendo
muito...” Lógico e óbvio que eu não queria escutar o resto e a interrompi.
“Tá bom, tá bom, já entendi, não precisa continuar. Você
me ligou pra me contar que está namorando com um cara 30 anos mais novo e jogar
na minha cara que eu estou encalhada, é isso?”
“É, filhota... precisa arrumar um boy pra sairmos
juntos!”
“Sairmos juntos?”
“Ainda não te contei, mas eu vou com o Ricardinho aí te
visitar! Mamãe chega em breve filhota, arruma a casa!”
Ricardinho? Me visitar? Namorando? É, deve ser o fim dos
tempos pra mim!
...
Foi com essa linda novidade e com esse pensamento que fui
dormir. E hoje acordei desse lindo sonho. Eu nunca te desejei tanto na vida, Dr.
Rodrigo Dualibe Castro!
Agora vou afogar minhas tristezas num bolo de chocolate
com um cappuccino, porque definitivamente é o que me resta.
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