Essa noite eu parei, reparei e percebi quem sou antes de dormir.
Encosto a cabeça no travesseiro baixo e macio que me acompanha há anos.
Logo me volto ao céu pedindo ao Pai que te proteja e, torcendo pra que um dia você escute a nossa conversa do começo ao fim.
Até porque no meio dela desejo-te ferozmente.
Só não te peço de presente porque não podes pertencer a mim.
Então encerro a minha prece, fecho meus olhos e num suspiro volto a pensar imediatamente em você.
Onde será que estás agora?
Oh, meu amor, minha cama clama a tua presença e meu coração berra, esperneia, saltita e me chateia de tanto te querer. E não tem hora.
O que será que estás fazendo?
Oh, meu anjo, minha mente não mente. Ela é direta: suplica por um crime, pede que eu te roube.
O que será que estás pensando?
Oh, minha vida, minha estrela, meu azul do céu, minha aurora querida, nem Casimiro de Abreu te ama como eu!
Ainda te espero antes de dormir.
Vem, aproveita que eu ainda não comecei a sonhar.
Vem, vem logo!
Chegue de pressa para que eu possa te ter antes de dormir.
Para que eu possa te amar de verdade.
Seja por uma noite ou pela vida inteira.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
Só me resta esperar
Queria saber se a nossa troca de olhares significa pra você o mesmo que significa pra mim.
Se os seus olhos marotos sorriem junto com os meus ao se cruzarem. Se me desejam tanto quanto os meus desejam os seus.
Preciso descobrir se o seu corpo cabe em cima do meu. Se nossas alturas compatíveis permitiriam abraços infinitos.
Queria fazer os versos mais bonitos e coloridos quanto as suas blusas xadrez.
Mas por vezes penso que preciso parar de dar ouvidos a tamanha insensatez.
Preciso de boas pernas que me levem até você.
De olhos que consigam e permitam enxergar você como nunca ninguém viu.
Falta uma boca que diga oi sem timidez.
Um ouvido preparado pro descaso.
Quem sabe até uma mente moldada num flerte passageiro, num caso, numa possibilidade.
Num mínimo, num gesto, numa reciprocidade.
Enquanto a coragem não me encontra, só me resta esperar.
Só sei esperar. Um oi, um sorriso, um sinal qualquer que não me mantenha no lugar de possível ilusão. Que não nos deixe em reticências.
Um despertar, um momento lindo qualquer pra que eu possa guardar.
Só me resta esperar.
Se os seus olhos marotos sorriem junto com os meus ao se cruzarem. Se me desejam tanto quanto os meus desejam os seus.
Preciso descobrir se o seu corpo cabe em cima do meu. Se nossas alturas compatíveis permitiriam abraços infinitos.
Queria fazer os versos mais bonitos e coloridos quanto as suas blusas xadrez.
Mas por vezes penso que preciso parar de dar ouvidos a tamanha insensatez.
Preciso de boas pernas que me levem até você.
De olhos que consigam e permitam enxergar você como nunca ninguém viu.
Falta uma boca que diga oi sem timidez.
Um ouvido preparado pro descaso.
Quem sabe até uma mente moldada num flerte passageiro, num caso, numa possibilidade.
Num mínimo, num gesto, numa reciprocidade.
Enquanto a coragem não me encontra, só me resta esperar.
Só sei esperar. Um oi, um sorriso, um sinal qualquer que não me mantenha no lugar de possível ilusão. Que não nos deixe em reticências.
Um despertar, um momento lindo qualquer pra que eu possa guardar.
Só me resta esperar.
segunda-feira, 12 de março de 2012
III. Uma boca que sente
A última da série.
Agora as postagens voltam ao normal.
Que tenham curtido tanto quanto eu essa inovaçãozinha.
Agora as postagens voltam ao normal.
Que tenham curtido tanto quanto eu essa inovaçãozinha.
Reflitam e sintam.
Até mais!
Até mais!
III. Uma boca que sente
Doce. Amargo. Azedo. Salgado.
Gelado. Morno. Quente.
Coisas tão óbvias que a minha boca sente.
Como fome.
Como mente.
Como me engana todas as vezes quando minha saliva
não pertence somente a mim.
Que descaso com minha razão quando tem sede de lábios
errados, lábios passados, lábios invejados.
A minha boca sente frio. Sente falta.
Quando parece não sentir mais nada, sente mais.
Sente o inesperado, o surpreendente.
Ela sente, simplesmente sem que eu controle.
Não mais fala. Apenas cala.
Guarda, sacia, aprecia um sabor de noite, um sabor de dia.
Deseja um teor de amor.
Deseja um pouco de frescor.
Procura o doce no amargo.
Envolve, seduz.
Me conduz, me reduz a uma simples e mínima coisa.
Que sente.
Que aparentemente sente.
E sinto até não poder mais sentir.
Minha saliva me condena.
O teu gosto me envenena.
E a minha boca... apenas sente.
Gelado. Morno. Quente.
Coisas tão óbvias que a minha boca sente.
Como fome.
Como mente.
Como me engana todas as vezes quando minha saliva
não pertence somente a mim.
Que descaso com minha razão quando tem sede de lábios
errados, lábios passados, lábios invejados.
A minha boca sente frio. Sente falta.
Quando parece não sentir mais nada, sente mais.
Sente o inesperado, o surpreendente.
Ela sente, simplesmente sem que eu controle.
Não mais fala. Apenas cala.
Guarda, sacia, aprecia um sabor de noite, um sabor de dia.
Deseja um teor de amor.
Deseja um pouco de frescor.
Procura o doce no amargo.
Envolve, seduz.
Me conduz, me reduz a uma simples e mínima coisa.
Que sente.
Que aparentemente sente.
E sinto até não poder mais sentir.
Minha saliva me condena.
O teu gosto me envenena.
E a minha boca... apenas sente.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
II. Uma boca que cala
Mais uma da série.
II. Uma boca que cala
Você pode ficar com as suas verdades e os seus achismos,
Com sua falsa ingenuidade e com seu temperamento sombrio.
De tenebroso já me basta seu gesto prepotente, seu conjunto de reações autoritárias.
Já cansei de ser seu jeans desbotado, seu botão reabotoado, seu pedaço de pano remendado.
Minha vida já está gasta, e você parece gostar do tanto que me desgasta.
Eu pareço não me dar conta do quanto tenho sido um sapato velho para um pé descalço.
Ao emudecer minhas palavras, me proponho a apenas pensar.
Defronte a seus olhos, me submeto a calar pensamentos prestes a saltar da boca,
Que, tão seca se inibe e engole frases feitas.
Feitas para que não mais me cale, feitas para que eu não me abale.
De inibições e recusas continuo submetendo meus devaneios.
Meus ouvidos surrados de seus esfaqueios apenas ouvem.
Sua boca fala e seu corpo gesticula em tamanha proporção.
Meu coração aperta e meus olhos se voltam para o chão.
Entre tantas outras, uma boca que cala.
Cala-me, calo-me.
Entre tantos calares indefesos,
Um olhar disperso, um amor saturado e uma vida morna.
Com sua falsa ingenuidade e com seu temperamento sombrio.
De tenebroso já me basta seu gesto prepotente, seu conjunto de reações autoritárias.
Já cansei de ser seu jeans desbotado, seu botão reabotoado, seu pedaço de pano remendado.
Minha vida já está gasta, e você parece gostar do tanto que me desgasta.
Eu pareço não me dar conta do quanto tenho sido um sapato velho para um pé descalço.
Ao emudecer minhas palavras, me proponho a apenas pensar.
Defronte a seus olhos, me submeto a calar pensamentos prestes a saltar da boca,
Que, tão seca se inibe e engole frases feitas.
Feitas para que não mais me cale, feitas para que eu não me abale.
De inibições e recusas continuo submetendo meus devaneios.
Meus ouvidos surrados de seus esfaqueios apenas ouvem.
Sua boca fala e seu corpo gesticula em tamanha proporção.
Meu coração aperta e meus olhos se voltam para o chão.
Entre tantas outras, uma boca que cala.
Cala-me, calo-me.
Entre tantos calares indefesos,
Um olhar disperso, um amor saturado e uma vida morna.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
I. Uma boca que fala
- Joana...
-... estou completamente apaixonada por você. Olha o seu rosto, os seus olhos lindos, a sua forma de se vestir, o seu cabelo liso todo bagunçado por causa do vento, e esse nariz de paçoquinha que sempre me dá vontade de morder... ah, e...
- Joana, me escuta...
-... essa boca linda, linda, linda, de beijos deliciosos. Essa boca que tanto me deu prazer, que tanto disse que me amava, que tanto sussurrou lindos trechos de música, esses lábios quentes, sedutores, doces, másculos. Eu sou cinquenta por cento apaixonada pela sua boca que só me ama e me ama e, me ama... desculpa a minha tagarelice, é que eu te amo tanto, esse dia tá tão lindo e agradável. Pode falar agora, meu amor.
- Acho melhor você se levantar do meu colo, sentar à minha frente e olhar nos meus olhos.
- Ah, daqui tá bom... minha cabeça recostada na sua perna que é um ótimo travesseiro. Dá pra ver seu tórax, seu queixo, sua boca, seu narizinho, quer dizer, meu narizinho de paçoca e seus olhos. Estou te vendo daqui.
- Joana, levanta. Agora.
- Mas, mas... Amor, o que houve?
- Levanta, Joana.
Joana se levanta.
- Isso, assim é melhor, você de frente pra mim e eu de frente pra você. Agora peço que não me interrompa.
- O que aconteceu, o que eu disse? Eu falei muito, né? Desculpa, eu não falo mais tanto assim, estou bancando a chata, eu sei, mas, amor...
- Joana, eu preciso falar e você não deixa eu falar. Por favor, fica quieta. Só um pouquinho. Vou ser breve. Só me escuta.
Sentindo seu coração começar a apertar, Joana acatou o pedido de seu namorado e se calou naquele instante.
- Eu estava procurando uma forma de dizer o que tenho pra dizer sem que te machucasse, mas acho que nenhum jeito vai evitar que você se machuque. Não estou feliz com o nosso relacionamento há algum tempo e tentei insistir nele mesmo assim, não te contei nada porque achei que fosse uma fase minha. Mas não é. Acho que nós dois temos caminhos diferentes. Você pra sul e eu pra norte, você pra leste e eu oeste. Não quero mais fingir que te amo e que sou feliz ao seu lado. Isso também me dói.
Com olhos de decepção, tomados por lágrimas prontas a se despejarem pelo seu belo rosto, Joana não hesitou.
- Quem agora não quer mais ouvir uma palavra tua sou eu. E digo mais, retiro tudo que eu disse sobre a sua boca. Ela acabou de me soltar tudo que um dia você disse nunca falar pra mim. Engula suas palavras amargas e a sua insatisfação. Dei a você todo o amor que eu podia dar a alguém.
Joana se levantou e em passos curtos, dominados por ódio, disse andando:
- Sua boca eu não beijo nunca mais.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Incapaz
Incapaz
Inibido de prazer
Ausente de poder
Vaidoso sem por quê
Ordinário sem querer
Ineficaz rapaz
Introspecto homem
De ideias boas enquanto
Repletas de emoção
Ineficaz intolerante
Desprovido de sabedoria
Escravo de sua mente impetuosa
Seja noite, ou seja dia
Inibido de prazer
Ausente de poder
Vaidoso sem por quê
Ordinário sem querer
Ineficaz rapaz
Introspecto homem
De ideias boas enquanto
Repletas de emoção
Ineficaz intolerante
Desprovido de sabedoria
Escravo de sua mente impetuosa
Seja noite, ou seja dia
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Depois da meia noite
Após um dia estressante, nada melhor que uma cerveja gelada, sozinho ou acompanhado.E foi o que eu fiz.
Duas horinhas respirando um ar diferente do escritório, vendo a hora passar e pessoas diversas. Sozinho.
- Amigão, fecha a minha conta?
- Mais uma gelada?
Sorrindo fiz sinal negativo balançando a cabeça: - Amanhã o trabalho continua, a outra gelada fica pra outro dia.
- Tá certo. Débito ou crédito?
Devolvi o cartão para a minha carteira.
- Não, parceiro, dinheiro mesmo. Vai sobrar sete reais, né? É seu. Atendimento maravilhoso. - Disse batendo em suas costas.
O garçom me agradeceu com um belo sorriso e apertou forte a minha mão.
Podia ver a felicidade estampada em seu rosto.
Felicidade essa que me faltava.
O boteco ficava a duas quadras da minha casa. Fui embora andando.
Noite fresca, mas o paletó continuava seguro entre meus dedos e disposto nas minhas costas. Não via a hora de tirar aquela gravata.
Abri a porta e fui direto para o banho. Ao tirar o relógio do pulso vi que ele marcava 23 horas.
Terminei o banho e deitei;
Todos os dias eu dormia depois da meia noite. Era esse horário ela vinha de encontro a mim, que eu a sentia presente e que eu podia tentar tocá-la.
Depois da meia noite eu podia vê-la, sempre linda com os braços abertos vindo em minha direção.
Por mais triste que eu pudesse estar, ela sempre me acalmava. Por mais cansado que estivesse, ela me arrancava um sorriso que me deixava disposto outra vez.
Depois da meia noite eu resgatava forças. O meu grande amor me dizia para não desistir.
Depois da meia noite a filha que há dois anos eu havia perdido, aparecia na frente dos meus olhos com um vestido rosa e dizia "Papai, eu te amo. Papai, eu sempre vou estar com você, não desiste de nada, não se canse da vida. Papai, eu te amo muito."
Sozinho em meu apartamento, eu chorava de soluçar.
Sozinho porque a mãe da minha filha também tinha me deixado. Mas não partiu pra outro mundo, partiu com outro cara para algum lugar do qual eu não faço ideia. E não, não quero nem saber.
Eu ainda tinha o meu grande amor.
Eu ainda tinha motivos pra viver e superar uma dor que me parecia sempre insuperável.
Porque eu sabia, que todos os dias depois da meia noite o meu sentido de viver se renovava e um novo e lindo dia chegaria.
Duas horinhas respirando um ar diferente do escritório, vendo a hora passar e pessoas diversas. Sozinho.
- Amigão, fecha a minha conta?
- Mais uma gelada?
Sorrindo fiz sinal negativo balançando a cabeça: - Amanhã o trabalho continua, a outra gelada fica pra outro dia.
- Tá certo. Débito ou crédito?
Devolvi o cartão para a minha carteira.
- Não, parceiro, dinheiro mesmo. Vai sobrar sete reais, né? É seu. Atendimento maravilhoso. - Disse batendo em suas costas.
O garçom me agradeceu com um belo sorriso e apertou forte a minha mão.
Podia ver a felicidade estampada em seu rosto.
Felicidade essa que me faltava.
O boteco ficava a duas quadras da minha casa. Fui embora andando.
Noite fresca, mas o paletó continuava seguro entre meus dedos e disposto nas minhas costas. Não via a hora de tirar aquela gravata.
Abri a porta e fui direto para o banho. Ao tirar o relógio do pulso vi que ele marcava 23 horas.
Terminei o banho e deitei;
Todos os dias eu dormia depois da meia noite. Era esse horário ela vinha de encontro a mim, que eu a sentia presente e que eu podia tentar tocá-la.
Depois da meia noite eu podia vê-la, sempre linda com os braços abertos vindo em minha direção.
Por mais triste que eu pudesse estar, ela sempre me acalmava. Por mais cansado que estivesse, ela me arrancava um sorriso que me deixava disposto outra vez.
Depois da meia noite eu resgatava forças. O meu grande amor me dizia para não desistir.
Depois da meia noite a filha que há dois anos eu havia perdido, aparecia na frente dos meus olhos com um vestido rosa e dizia "Papai, eu te amo. Papai, eu sempre vou estar com você, não desiste de nada, não se canse da vida. Papai, eu te amo muito."
Sozinho em meu apartamento, eu chorava de soluçar.
Sozinho porque a mãe da minha filha também tinha me deixado. Mas não partiu pra outro mundo, partiu com outro cara para algum lugar do qual eu não faço ideia. E não, não quero nem saber.
Eu ainda tinha o meu grande amor.
Eu ainda tinha motivos pra viver e superar uma dor que me parecia sempre insuperável.
Porque eu sabia, que todos os dias depois da meia noite o meu sentido de viver se renovava e um novo e lindo dia chegaria.
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