terça-feira, 15 de abril de 2014

Desculpa

Desculpa se eu faço tudo por você. Se eu lambo o chão que você pisa. Se eu choro para fazer você sorrir. Desculpa se meu amor é demais, se você não é capaz, se sou cheia de razão. Desculpa se o amor mora em mim, se já te cansou, se o filme acabou. Desculpa se o final não foi feliz, se você partiu, se quem se fodeu fui eu. Desculpa se você não pode me dar o que eu mereço ter e desculpa também por ser boa demais para você. Na vedade eu estou me redimindo com o mundo por saber que nunca ninguém será bom o suficiente para mim, porque eu sou boa demais para qualquer um. Desculpa.

domingo, 11 de agosto de 2013

Eu estive fora uns tempos

Eu estive fora uns tempos. Fora de mim, dos meus pensamentos.
Viajei pra lugares novos, vi novas paisagens e conheci novos sentimentos. Apreciei falsas verdades em momentos de tormento. Recalculei a rota do caminho e prossegui na direção do vento. Gozei de partidas, despedidas e chegadas. Aumentei minha esperança no frio da neve e em longas geadas. Segui passos já dados e não me perdoei. Fui parar no deserto e vi de perto a incerteza: visões insanas criadas pela natureza. Cuidei de menos de quem cuidou demais de mim. Namorei poucos rios, poucos mares, poucas sereias. Encontrei na luz dos olhos de quem me levou o aroma do perfume que não me sobrou. Eu estive fora uns tempos. Fora de mim, dos meus pensamentos.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ainda bem




Ainda bem que a gente se encontrou
Que o tempo não parou
Que o inverno chegou
Que você me esquentou

Ainda bem que o café, agora é doce
Que a vida trouxe
Um sonho guloso
Um biscoito da sorte

Ainda bem que anjos existem
Que você não caiu do céu
Que meu colo pode te abrigar
Que meus braços possam te acalentar

Ainda bem que seus olhos combinam com os meus
Que nosso caminho se cruzou
Que seu dedo me cutucou
Esperançosamente

Ainda bem que meu Lírio brotou
Que meu jardim esverdeou
Que tenho sua pureza
E que regarei nosso amor eterno

Ainda bem, Anjo Lírio
Que me tocou
Como toco as cordas de um violão
Com a graça de um sertanejo
Que espera um milagre no sertão:
Que chova e o verde brote do chão.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Céu do mato

O céu do mato verde é azul
O céu do mato escuro é preto
Na noite vestido de negro
Brilhantes pincelam pontos
Delineadamente perfeitos
Em sua extensão imensa
E brilha luz sem fim
Nos olhos claros, escuros
A fim de glamourizar o momento
E brilha uma bola amarela
Às vezes branca e singela
Protegida por um guerreiro em seu cavalo
 

O céu do mato que fascina
Todas as noites da menina
Que vive de suas cores
Que vive de suas nuvens
Que vive de suas constelações
Que não tem limites
Se não quiseres, não acredites
Ela ama com fervor
Todas as noites, por favor
Céu do mato, apareça
Todas as noites enriqueça
A vida tão burlesca
De uma princesa ainda tão pitoresca

domingo, 28 de abril de 2013

Entrevista com o diabo

- Então, senhorita Valentina, podemos dar início a nossa entrevista?

- O quanto mais rápido, melhor.

- Andei pesquisando sobre sua vida e vi que você escreve há muito tempo. Como foi esse começo pra você?

- Olha, meu caro, se pesquisou sobre mim e não encontrou resposta pra essa pergunta, acredito que tenha pesquisado muito mal, pois já a respondi milhões de vezes a milhões de repórteres mais engajados que você, eu diria. Procure mais uma vez e vai achar.

- Desculpe-me, senhorita, eu apenas estou fazendo o meu trab...

- Por que me chama de senhorita?

- É uma forma de manter um determinado respeito e formalidade. Posso chama-la de Valentina somente se preferir.

- O meu nome é Valentina, se pesquisou bem, não tenho um primeiro nome cujo se chama ‘senhorita’.

- Desculpe-me mais uma vez, Valentina. Dando prosseguimento, queria saber como é o seu processo de criação, como se inspira e se usa algum método.

- Mais uma vez vi que não pesquisou direito, quiçá absolutamente nada. Meu bem, numa próxima vá fundo. Eu ainda sou muito paciente com vocês.

- Mas Valentina, é apenas o meu trabalho, preciso da resposta para essas perguntas feitas por mim, não posso simplesmente copiar e colar o que outro colega já fez.

- Problema é seu, garoto. Fizesse perguntas mais criativas e originais. Acho que nossa entrevista já acabou. Ronaldo, meu cigarro e meu licor, esse blábláblá me deu dor de cabeça.

- Valentina, não posso entregar a meu chefe as perguntas em branco, muito menos publicar que você é uma escritora altamente grossa e estúpida.

- Acho que estamos começando a querer caminhar, garoto. Conseguiu descobrir que sou grossa e estúpida e me falou. Normalmente seus colegas não falam isso. Está de parabéns por essa iniciativa. Vá, leve essa impressão sobre mim e publique na revista a qual trabalha. Não me importo.

Ronaldo chega com um cigarro, o acende e serve a Valentina licor que pediu.

- Valentina, está abrindo brechas para que eu escreva o que eu quiser a respeito das impressões que tive e isso pode não ser bom para a sua imagem.

- Quem liga para imagem é modelo, ator, atriz, artista. Não sou nada disso. Não quero saber o que pensam sobre mim, o que publicam, o que não gostam. Eu quero viver da minha arte sem ter que ser quem a mídia quer que eu seja. Sem que vocês, repórteres, queiram ou desejam que eu seja numa entrevista reveladora ou apenas em mais uma igual a outras. Eu sou isso aqui, apenas isso. Um cigarro aceso, um bom licor e um turbilhão de verdades e grosserias.

- Você é mais que isso, não acha que sua arte lhe faça alguém melhor, Valentina?

- Minha arte não faz nada de mim a não ser o que eu deseje no momento. Não é a arte que faz ou deixa de fazer qualquer coisa em minha vida. Eu a levo para o caminho o qual ache melhor. E esse melhor pode não ser o que é o melhor aos olhos de qualquer outro ser humano normal.

- Você não se acha normal?

- Sou normal, sou um ser humano como você. Apenas sou quem sou sem medir qualquer consequência de meus atos e de minhas palavras. Sou quem eu quero ser, no momento que desejo. Posso ser um de meus personagens ou uma de minhas poesias. Posso ser o diabo se eu quiser.

- E nesse momento, o que és?

- O próprio.

domingo, 21 de abril de 2013

Predador

É impressionante o poder que tem sobre mim, sobre meus sentimentos e sobre meus passos. É tão fantástico e irritante, ao mesmo tempo, que me fascina e me pune. Eu me entrego. Eu me dou. Eu caio em seus braços como uma presa fácil. E fico presa. Apenas porque me prendo. Pelo simples fato de consciente ou inconscientemente desejar que me prendesse. Mesmo já tendo me prendido, mesmo eu já sabendo a dor que seu repúdio me traz. 

Eu vou. Vou seguindo nos dias como um bêbado sem rota. Como uma bússola quebrada. Como um filme de terror que não termina. Não sei aonde ir, não sei o que fazer, não sei o que sentir, muito menos como evitar sofrer. Mesmo assim me arrisco ao poder de suas garras afiadas e tentadoras, como fiz de novo. Achei que tivesse aprendido como te dominar e como me dominar. Mas eu sou um poço de falsa esperança.

Machuquei-me outra vez. Machucaste-me outra vez. Não sei se pior que da primeira, mas tão intenso quanto. E eu que achei que o meu amor tivesse morrido comprovei da mais impetuosa ressurreição. E eu que achei que meu amor tivesse adormecido, comprovei do maior despertar de uma nova ilusão. Deixei-me levar na expectativa de te levar na crista da onda dessa alta maré. Como um surfista inexperiente, caí e me afoguei em lágrimas salgadas, secas e fartas.

Pois fique aí admirando meu naufrago. Aviste minha morte lenta e meu sofrer sem penar. Construa uma vida nova e me deixe seguir pra outro mundo. Capture uma nova vítima para seus encantos. Seu beijo eu não quero mais, seu abraço já não me traz paz e seu sorriso eu já não avisto mais. Bata suas asas e voe, voe pra bem longe daqui. Vá para um horizonte que meus olhos não possam enxergar.

Sejas doce para outrem, sejas meu passado. Ah, dor, como você me castiga! Como você me mastiga, me tritura e me amargura. Eu jurei não te encontrar de novo, sua puta! Largue meu peito de uma vez. Eu só tenho vinte e três.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dúbio


Não
Não finja que esqueceu
Que o amor da sua vida sou eu
E que o tempo não apagou

O nosso amor
Ah, o nosso amor
Diga-me o que restou
As migalhas, o que sobrou?

Os dias nublados
O café gelado
A comida sem gosto
Em todo canto o seu rosto

Diga que se lembra
Diga que deseja
O abraço exagerado
O beijo demorado

Não esqueça o que eu dei
Eu sei
Que aí também pulsa um fogaréu
Que desenha nosso céu

Quando nossos olhos se cruzam
E nossos lábios se tocam
O mundo volta a girar em ritmo lento
Posso tocar o vento

Resistir a esse tormento
Um tanto quanto amargo
Te ver partir sem saber de nós
Nenhum instante me convence
Que o seu amor novamente me pertence.