Eu voei
Eu voei junto àquele pássaro de penas verdes brilhosas que deu rasante em minha janela
Planei como um beija-flor doce e manso
Voei em céus que só eram diferentes no azul
Planei frente à flores como as do Éden
Voei sem rumo mesmo buscando teu caminho
Planei em busca de água, com sede, vazio e sozinho
Eu voei livre, cheio de vida e esperança
Eu voei o mais alto que pude
Fui lá em cima, nas nuvens
Naquele branco condensado digno de sonhos
Voei até pensar me cansar
Mas não cansei de voar
Eu voei pra chegar a algum lugar
Eu voei querendo te encontrar
Sumi naqueles céus que nem Zeus pôde me capturar
E tudo isso pra te ver
E tudo isso pra tentar te ter
Minhas asas se cansaram
Então eu precisei aterrissar
Pousei calmamente, ainda no alto
Ainda naquela copa de macieira do pecado
E uma serpente me ofereceu aquele vermelho alimento adocicado
Eduacamente eu agradeci e o recusei
Pousei
Desta vez em solo firme
Respirando um ar menos rarefeito
Mais propício pro meu peito
E logo tomei forças pra continuar e decolar
Mesmo não sabendo onde está
Eu não desisto de voar
A minha meta é te encontrar
Seja em qual for o lugar
segunda-feira, 4 de junho de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Relatos da introspecção
- Eu não quero! - Disse a Razão.
- Mentirosa, quer sim. Eu sei. - Disse a Emoção.
- Eu estou amando, mas prevejo que vão me trucidar. - Disse o Coração.
- Vou me machucar, vou me machucar, vou me machucar! - Disse o Sistema Nervoso.
- Posso participar da conversa? - Questionou o Cérebro.
- Sim! - Em coro, todos responderam.
- Então, eu concordo com a Emoção, senhorita Razão.Também concordo com o Sistema Nervoso. - Disse o Cérebro.
- Por que você tem esse ar, tão... tão dono da verdade? - Perguntou o Coração.
- Cala a boca. Você não sabe de nada. - Respondeu a Razão.
- Não dá pra dialogar com vocês, ninguém tem neurônios. Só eu mesmo. - Disse o Cérebro, saindo da conversa.
- Na verdade eu não amo não, por isso não vou me machucar. Sistema Nervoso, acho melhor nos retirarmos da conversa também. - Disse o Coração.
- Não vão não. - Disse a Emoção.
- O que a gente faz? - Indagou o Coração.
- Vamos arrumar uma solução. - Disse a Razão.
- Vocês todos estão errados! - Gritou a Mentira chegando na conversa.
- Escutei meu nome de longe... Aqui não tem espaço pra você, Mentira. - Retrucou a Verdade, chegando do lado oposto.
- Chega. Chega. Vamos parar com isso. Eu já sei o que fazer e não preciso de nenhum
de vocês comigo, exceto o Coração. Portanto, podem se retirar. - Disse a Razão.
Após muitos borburinhos, o pedido da Razão foi aceito.
- Coração, acho que essa sua amizade com a Emoção vai de mal a pior. Vai por mim. - Disse a Razão.
- Se eu me separar da Emoção, minha vida perde o sentido. - Disse o Coração.
- Não perde não, eu existo. - Disse a Razão.
- Vamos nos unir? - Sugeriu a Razão.
- E se não der certo e eu me machucar? - Respondeu o Coração, cabisbaixo.
- Vai dar certo. Somos a parceria que todos queriam ter. Juntos vamos nos equilibrar e poder viver de forma mais feliz. - Disse a Razão.
- Podemos formar um trio imbatível. - Sussurrou a Verdade se aproximando.
- Só preciso do seu aval. - Disse a Razão para o Coração.
- Mentirosa, quer sim. Eu sei. - Disse a Emoção.
- Eu estou amando, mas prevejo que vão me trucidar. - Disse o Coração.
- Vou me machucar, vou me machucar, vou me machucar! - Disse o Sistema Nervoso.
- Posso participar da conversa? - Questionou o Cérebro.
- Sim! - Em coro, todos responderam.
- Então, eu concordo com a Emoção, senhorita Razão.Também concordo com o Sistema Nervoso. - Disse o Cérebro.
- Por que você tem esse ar, tão... tão dono da verdade? - Perguntou o Coração.
- Cala a boca. Você não sabe de nada. - Respondeu a Razão.
- Não dá pra dialogar com vocês, ninguém tem neurônios. Só eu mesmo. - Disse o Cérebro, saindo da conversa.
- Na verdade eu não amo não, por isso não vou me machucar. Sistema Nervoso, acho melhor nos retirarmos da conversa também. - Disse o Coração.
- Não vão não. - Disse a Emoção.
- O que a gente faz? - Indagou o Coração.
- Vamos arrumar uma solução. - Disse a Razão.
- Vocês todos estão errados! - Gritou a Mentira chegando na conversa.
- Escutei meu nome de longe... Aqui não tem espaço pra você, Mentira. - Retrucou a Verdade, chegando do lado oposto.
- Chega. Chega. Vamos parar com isso. Eu já sei o que fazer e não preciso de nenhum
de vocês comigo, exceto o Coração. Portanto, podem se retirar. - Disse a Razão.
Após muitos borburinhos, o pedido da Razão foi aceito.
- Coração, acho que essa sua amizade com a Emoção vai de mal a pior. Vai por mim. - Disse a Razão.
- Se eu me separar da Emoção, minha vida perde o sentido. - Disse o Coração.
- Não perde não, eu existo. - Disse a Razão.
- Vamos nos unir? - Sugeriu a Razão.
- E se não der certo e eu me machucar? - Respondeu o Coração, cabisbaixo.
- Vai dar certo. Somos a parceria que todos queriam ter. Juntos vamos nos equilibrar e poder viver de forma mais feliz. - Disse a Razão.
- Podemos formar um trio imbatível. - Sussurrou a Verdade se aproximando.
- Só preciso do seu aval. - Disse a Razão para o Coração.
sábado, 12 de maio de 2012
O medo, a perda
Perdi as estribeiras do poder.
Sentei-me à beira mar para observar além do horizonte.
Além da linha que divide o céu do mar.
Quando eu achava que as ondas tinham desaparecido, lá estavam elas: voltando, indo e voltando novamente.
Em pouco tempo um céu acinzentado encobria o azul que tanto me atraía.
Nuvens carregadas chegavam, perfeitamente armadas para despejar um céu de gotas. Perdi o direito de ficar ali contemplando o que minha mente via através do meu olhar.
Já ensopado, abri a porta, joguei a chave na mesa e me atirei no sofá.
- Pluft! Plaft! - Arremassava meu tênis.
Brincando de fazer contas, só hoje eu perdi o ônibus para o trabalho, o horário de visitas no hospital onde minha única avó está, o ingresso (já esgotado) do último dia da peça que encerra a temporada, o celular, o azul do céu e o horizonte.
Posso contar nos dedos. Mas se for contar a partir de semanas, meses, vou precisar de um diário de perdas.
Não me dou bem com elas. E elas, muito menos comigo.
Perder um ônibus pode ser perder uma oportunidade qualquer, das boas às parcialmente boas. O horário de visitas podia ser o último com a minha avó viva. O último dia de peça podia me reservar algo. O celular... Podia ter sido alguém precisando de mim. O azul do céu poderia ser o ganho da consciência limpa, tranquila e calma. E o horizonte, o plano paralelo ao infinito, ao ser, ao estar, ao sonhar em proporções extensas.
Mas eu os perdi. Perdi a paciêcia com o ônibus e com a recepcionista que me impediu de visitar a Dona Lourdes. Perdi minha carteira quando a joguei pela janela depois de perceber que meu ingresso não estava lá. Não imaginava que perderia meu celular ao sair de casa, em menos de 5 minutos, para procurar a carteira. Prefiro perder a chance de dar continuidade ao resto...
Eu sou um perdedor daqueles típicos.
A minha vida é perder, inclusive, já nasci perdendo a vida e, meu relógio tem bons ponteiros que marcam minha sentença a cada tic-e-tac.
É só perder e perder e perder.
Quando é que vou perder o poder de perder?
Mas tá tudo bem. Nem tão bem assim.
Mesmo perdendo a cada instante, uma coisa não se afasta de mim. Eu não a deixo escapar. Não, eu não posso.
Me baseio no ditado "se não pode contra ele, junte-se a ele".
Não perco a esperança de um dia perder o medo de perder.
Sentei-me à beira mar para observar além do horizonte.
Além da linha que divide o céu do mar.
Quando eu achava que as ondas tinham desaparecido, lá estavam elas: voltando, indo e voltando novamente.
Em pouco tempo um céu acinzentado encobria o azul que tanto me atraía.
Nuvens carregadas chegavam, perfeitamente armadas para despejar um céu de gotas. Perdi o direito de ficar ali contemplando o que minha mente via através do meu olhar.
Já ensopado, abri a porta, joguei a chave na mesa e me atirei no sofá.
- Pluft! Plaft! - Arremassava meu tênis.
Brincando de fazer contas, só hoje eu perdi o ônibus para o trabalho, o horário de visitas no hospital onde minha única avó está, o ingresso (já esgotado) do último dia da peça que encerra a temporada, o celular, o azul do céu e o horizonte.
Posso contar nos dedos. Mas se for contar a partir de semanas, meses, vou precisar de um diário de perdas.
Não me dou bem com elas. E elas, muito menos comigo.
Perder um ônibus pode ser perder uma oportunidade qualquer, das boas às parcialmente boas. O horário de visitas podia ser o último com a minha avó viva. O último dia de peça podia me reservar algo. O celular... Podia ter sido alguém precisando de mim. O azul do céu poderia ser o ganho da consciência limpa, tranquila e calma. E o horizonte, o plano paralelo ao infinito, ao ser, ao estar, ao sonhar em proporções extensas.
Mas eu os perdi. Perdi a paciêcia com o ônibus e com a recepcionista que me impediu de visitar a Dona Lourdes. Perdi minha carteira quando a joguei pela janela depois de perceber que meu ingresso não estava lá. Não imaginava que perderia meu celular ao sair de casa, em menos de 5 minutos, para procurar a carteira. Prefiro perder a chance de dar continuidade ao resto...
Eu sou um perdedor daqueles típicos.
A minha vida é perder, inclusive, já nasci perdendo a vida e, meu relógio tem bons ponteiros que marcam minha sentença a cada tic-e-tac.
É só perder e perder e perder.
Quando é que vou perder o poder de perder?
Mas tá tudo bem. Nem tão bem assim.
Mesmo perdendo a cada instante, uma coisa não se afasta de mim. Eu não a deixo escapar. Não, eu não posso.
Me baseio no ditado "se não pode contra ele, junte-se a ele".
Não perco a esperança de um dia perder o medo de perder.
domingo, 22 de abril de 2012
Não te pertencia
- Juliano, para ali naquela esquina. - Assim ele o fez.
- Seu carro faz muito barulho. Já viu isso? Ele não é novo?
- É, acho que é a descarga que está solta. Vou ver isso amanhã. - Ele disse estacionando o carro.
Ficamos ali conversando um bom tempo. Nos mantinhamos parados e o assunto parecia não se esgotar. Aquela vaga parecia enorme perto daquele carro pequeno. Sem contar a pouca luz do lugar, que o deixava propício para deslizes. Recostei minha cabeça no apoio do banco e só ouvia Juliano falar. Fomos pegos por um silencio de um minuto, que mais parecia de meia hora.
Quando vi, Juliano vinha me engolir. Não que eu não tivesse reflexo o suficiente e olhos bons pra enxergar ele se aproximando de supetão. Mas algo em mim permitiu que nossos lábios se tocassem e que nossas línguas se enroscassem.
Talvez carência. Ou simples preguiça de reagir.
E foi...
Durou muitos minutos. Mas só alguns pra que eu me rendesse ao desejo de levar adiante aquele beijo.
Não porque era Juliano que estava me beijando, mas porque aquela boca não era a dele. Não, não era, não podia ser.
Minha cabeça dizia que não era. Na verdade ela não negava, ela pensava em outra pessoa.
Era a boca dessa que eu beijava. E por isso me permiti. E por isso me rendi.
Até, pelo menos, abrir os olhos e me deparar com a realidade da qual ainda não tinha me defrontado.
Foi como aquela chuva no momento errado. Como um balde de água fria, como dizem por aí.
Mas não me arrependo. Não... mesmo porque Juliano não tinha nada a ver com isso. Mesmo porque foi a primeira vez que isso aconteceu entre nós. Ele não sabia. Não podia saber.
Mas eu sabia, sempre soube e por algum tempo ainda vou continuar sabendo que beijar qualquer boca vai me fazer sentir seu gosto. Que isso por breve instante me deixará perto de você.
E que isso um dia, pode me levar a saída que tanto busco.
Porque prefiro não mais me ater a você e experimentar bocas diversas que me ajudarão a não lembrar da tua.
Essa boca que não te pertencia me mostrou o que eu não queria: que ainda me mantenho na esperança de provar do teu gosto.
- Seu carro faz muito barulho. Já viu isso? Ele não é novo?
- É, acho que é a descarga que está solta. Vou ver isso amanhã. - Ele disse estacionando o carro.
Ficamos ali conversando um bom tempo. Nos mantinhamos parados e o assunto parecia não se esgotar. Aquela vaga parecia enorme perto daquele carro pequeno. Sem contar a pouca luz do lugar, que o deixava propício para deslizes. Recostei minha cabeça no apoio do banco e só ouvia Juliano falar. Fomos pegos por um silencio de um minuto, que mais parecia de meia hora.
Quando vi, Juliano vinha me engolir. Não que eu não tivesse reflexo o suficiente e olhos bons pra enxergar ele se aproximando de supetão. Mas algo em mim permitiu que nossos lábios se tocassem e que nossas línguas se enroscassem.
Talvez carência. Ou simples preguiça de reagir.
E foi...
Durou muitos minutos. Mas só alguns pra que eu me rendesse ao desejo de levar adiante aquele beijo.
Não porque era Juliano que estava me beijando, mas porque aquela boca não era a dele. Não, não era, não podia ser.
Minha cabeça dizia que não era. Na verdade ela não negava, ela pensava em outra pessoa.
Era a boca dessa que eu beijava. E por isso me permiti. E por isso me rendi.
Até, pelo menos, abrir os olhos e me deparar com a realidade da qual ainda não tinha me defrontado.
Foi como aquela chuva no momento errado. Como um balde de água fria, como dizem por aí.
Mas não me arrependo. Não... mesmo porque Juliano não tinha nada a ver com isso. Mesmo porque foi a primeira vez que isso aconteceu entre nós. Ele não sabia. Não podia saber.
Mas eu sabia, sempre soube e por algum tempo ainda vou continuar sabendo que beijar qualquer boca vai me fazer sentir seu gosto. Que isso por breve instante me deixará perto de você.
E que isso um dia, pode me levar a saída que tanto busco.
Porque prefiro não mais me ater a você e experimentar bocas diversas que me ajudarão a não lembrar da tua.
Essa boca que não te pertencia me mostrou o que eu não queria: que ainda me mantenho na esperança de provar do teu gosto.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Antes de dormir
Essa noite eu parei, reparei e percebi quem sou antes de dormir.
Encosto a cabeça no travesseiro baixo e macio que me acompanha há anos.
Logo me volto ao céu pedindo ao Pai que te proteja e, torcendo pra que um dia você escute a nossa conversa do começo ao fim.
Até porque no meio dela desejo-te ferozmente.
Só não te peço de presente porque não podes pertencer a mim.
Então encerro a minha prece, fecho meus olhos e num suspiro volto a pensar imediatamente em você.
Onde será que estás agora?
Oh, meu amor, minha cama clama a tua presença e meu coração berra, esperneia, saltita e me chateia de tanto te querer. E não tem hora.
O que será que estás fazendo?
Oh, meu anjo, minha mente não mente. Ela é direta: suplica por um crime, pede que eu te roube.
O que será que estás pensando?
Oh, minha vida, minha estrela, meu azul do céu, minha aurora querida, nem Casimiro de Abreu te ama como eu!
Ainda te espero antes de dormir.
Vem, aproveita que eu ainda não comecei a sonhar.
Vem, vem logo!
Chegue de pressa para que eu possa te ter antes de dormir.
Para que eu possa te amar de verdade.
Seja por uma noite ou pela vida inteira.
Encosto a cabeça no travesseiro baixo e macio que me acompanha há anos.
Logo me volto ao céu pedindo ao Pai que te proteja e, torcendo pra que um dia você escute a nossa conversa do começo ao fim.
Até porque no meio dela desejo-te ferozmente.
Só não te peço de presente porque não podes pertencer a mim.
Então encerro a minha prece, fecho meus olhos e num suspiro volto a pensar imediatamente em você.
Onde será que estás agora?
Oh, meu amor, minha cama clama a tua presença e meu coração berra, esperneia, saltita e me chateia de tanto te querer. E não tem hora.
O que será que estás fazendo?
Oh, meu anjo, minha mente não mente. Ela é direta: suplica por um crime, pede que eu te roube.
O que será que estás pensando?
Oh, minha vida, minha estrela, meu azul do céu, minha aurora querida, nem Casimiro de Abreu te ama como eu!
Ainda te espero antes de dormir.
Vem, aproveita que eu ainda não comecei a sonhar.
Vem, vem logo!
Chegue de pressa para que eu possa te ter antes de dormir.
Para que eu possa te amar de verdade.
Seja por uma noite ou pela vida inteira.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Só me resta esperar
Queria saber se a nossa troca de olhares significa pra você o mesmo que significa pra mim.
Se os seus olhos marotos sorriem junto com os meus ao se cruzarem. Se me desejam tanto quanto os meus desejam os seus.
Preciso descobrir se o seu corpo cabe em cima do meu. Se nossas alturas compatíveis permitiriam abraços infinitos.
Queria fazer os versos mais bonitos e coloridos quanto as suas blusas xadrez.
Mas por vezes penso que preciso parar de dar ouvidos a tamanha insensatez.
Preciso de boas pernas que me levem até você.
De olhos que consigam e permitam enxergar você como nunca ninguém viu.
Falta uma boca que diga oi sem timidez.
Um ouvido preparado pro descaso.
Quem sabe até uma mente moldada num flerte passageiro, num caso, numa possibilidade.
Num mínimo, num gesto, numa reciprocidade.
Enquanto a coragem não me encontra, só me resta esperar.
Só sei esperar. Um oi, um sorriso, um sinal qualquer que não me mantenha no lugar de possível ilusão. Que não nos deixe em reticências.
Um despertar, um momento lindo qualquer pra que eu possa guardar.
Só me resta esperar.
Se os seus olhos marotos sorriem junto com os meus ao se cruzarem. Se me desejam tanto quanto os meus desejam os seus.
Preciso descobrir se o seu corpo cabe em cima do meu. Se nossas alturas compatíveis permitiriam abraços infinitos.
Queria fazer os versos mais bonitos e coloridos quanto as suas blusas xadrez.
Mas por vezes penso que preciso parar de dar ouvidos a tamanha insensatez.
Preciso de boas pernas que me levem até você.
De olhos que consigam e permitam enxergar você como nunca ninguém viu.
Falta uma boca que diga oi sem timidez.
Um ouvido preparado pro descaso.
Quem sabe até uma mente moldada num flerte passageiro, num caso, numa possibilidade.
Num mínimo, num gesto, numa reciprocidade.
Enquanto a coragem não me encontra, só me resta esperar.
Só sei esperar. Um oi, um sorriso, um sinal qualquer que não me mantenha no lugar de possível ilusão. Que não nos deixe em reticências.
Um despertar, um momento lindo qualquer pra que eu possa guardar.
Só me resta esperar.
segunda-feira, 12 de março de 2012
III. Uma boca que sente
A última da série.
Agora as postagens voltam ao normal.
Que tenham curtido tanto quanto eu essa inovaçãozinha.
Agora as postagens voltam ao normal.
Que tenham curtido tanto quanto eu essa inovaçãozinha.
Reflitam e sintam.
Até mais!
Até mais!
III. Uma boca que sente
Doce. Amargo. Azedo. Salgado.
Gelado. Morno. Quente.
Coisas tão óbvias que a minha boca sente.
Como fome.
Como mente.
Como me engana todas as vezes quando minha saliva
não pertence somente a mim.
Que descaso com minha razão quando tem sede de lábios
errados, lábios passados, lábios invejados.
A minha boca sente frio. Sente falta.
Quando parece não sentir mais nada, sente mais.
Sente o inesperado, o surpreendente.
Ela sente, simplesmente sem que eu controle.
Não mais fala. Apenas cala.
Guarda, sacia, aprecia um sabor de noite, um sabor de dia.
Deseja um teor de amor.
Deseja um pouco de frescor.
Procura o doce no amargo.
Envolve, seduz.
Me conduz, me reduz a uma simples e mínima coisa.
Que sente.
Que aparentemente sente.
E sinto até não poder mais sentir.
Minha saliva me condena.
O teu gosto me envenena.
E a minha boca... apenas sente.
Gelado. Morno. Quente.
Coisas tão óbvias que a minha boca sente.
Como fome.
Como mente.
Como me engana todas as vezes quando minha saliva
não pertence somente a mim.
Que descaso com minha razão quando tem sede de lábios
errados, lábios passados, lábios invejados.
A minha boca sente frio. Sente falta.
Quando parece não sentir mais nada, sente mais.
Sente o inesperado, o surpreendente.
Ela sente, simplesmente sem que eu controle.
Não mais fala. Apenas cala.
Guarda, sacia, aprecia um sabor de noite, um sabor de dia.
Deseja um teor de amor.
Deseja um pouco de frescor.
Procura o doce no amargo.
Envolve, seduz.
Me conduz, me reduz a uma simples e mínima coisa.
Que sente.
Que aparentemente sente.
E sinto até não poder mais sentir.
Minha saliva me condena.
O teu gosto me envenena.
E a minha boca... apenas sente.
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